Uma caixa de chá bem desenhada vende o produto na prateleira; uma caixa bem rotulada mantém-no lá. Para as marcas próprias (private label), a segunda parte costuma ser a mais desgastante, porque a fábrica imprime aquilo que a marca fornece e é a marca que assume a responsabilidade. Este guia percorre os elementos que surgem habitualmente nos rótulos de chá na UE, no Reino Unido, nos EUA e em mercados comparáveis, e mostra onde cada um deles tende a falhar. É orientação geral e não aconselhamento jurídico: as menções obrigatórias variam de país para país, pelo que a arte final deve ser confirmada junto da autoridade competente ou de um consultor regulamentar do mercado onde vai vender.
As menções essenciais que a maioria dos mercados espera
Seja qual for o formato — pirâmide, saqueta com fio e etiqueta dentro de envelope, ou folha solta numa lata —, as mesmas informações essenciais aparecem na maior parte das embalagens de chá para retalho. A falta de um destes elementos é a razão mais frequente para a equipa de conformidade de um retalhista rejeitar uma remessa de marca própria.
| Elemento | O que costuma abranger | Falhas típicas |
|---|---|---|
| Denominação do produto | Um nome que descreve o que é o género alimentício, p. ex. infusão de camomila | Nomes de fantasia sem denominação descritiva ao lado |
| Lista de ingredientes | Ordem decrescente de peso, partes da planta claramente identificadas | Omissão de aromas, ausência de nomes botânicos |
| Quantidade líquida | O peso do chá, não o da embalagem | Indicar apenas o número de saquetas, misturar unidades métricas e imperiais |
| Firma e morada | O operador responsável pelo produto | Usar a morada da fábrica quando quem vende é a marca |
| Código de lote | Rastreabilidade até um determinado ciclo de produção | Impresso onde se apaga ou fica escondido sob uma soldadura |
| Data de durabilidade mínima | Data até à qual o produto conserva as suas propriedades | Formatos de data vagos, sem indicação de conservação ao lado |
| País de origem | Onde o chá foi cultivado ou, se exigido, transformado | Sugerir origem única numa mistura de várias proveniências |
A indicação de conservação ("conservar em local fresco e seco, ao abrigo de odores intensos") nem sempre é obrigatória, mas é quase sempre sensata para o chá, que absorve humidade e aromas mais depressa do que a maioria dos produtos secos.
Dar nome ao produto sem induzir o comprador em erro
A denominação tem de dizer ao consumidor o que está a comprar, mesmo que o nome de marca domine a frente da embalagem. "Sunset Garden" por si só não é uma denominação de género alimentício; "Sunset Garden, infusão de frutos com roseira-brava e hibisco" já é. Cuidado com a própria palavra "chá": em vários mercados designa estritamente Camellia sinensis, pelo que os produtos de ervas e de frutos se descrevem com mais segurança como infusões ou chás de ervas, consoante o uso local. Nomes que remetem para um local, um grau de qualidade ou uma planta que não é o ingrediente principal são um convite à contestação.
Ingredientes, alergénios e aromas
Enumere cada ingrediente por ordem decrescente de peso, tal como entrou na mistura, com nomes que o consumidor reconheça. Nos produtos de uma só planta, indicar o nome comum acompanhado do nome botânico (salva, Salvia officinalis) elimina a ambiguidade entre espécies. Os aromas adicionados têm de figurar como ingredientes, e qualquer fruto de casca rija, cereal ou outro material alergénio presente numa mistura deve ser identificado da forma exigida pelo mercado-alvo, habitualmente por destaque dentro da lista. Chás pretos, verdes ou de ervas simples raramente declaram alergénios, ao contrário das misturas com inclusões de frutos de casca rija ou cereais; já as menções de contacto cruzado devem refletir o que acontece efetivamente na linha de embalamento e não um "pode conter" genérico.