O Reino Unido deixou o sistema regulatório da UE, mas não o seu apetite por alimentos turcos. As importações de alimentos, rações e bebidas do Reino Unido atingiram 64,1 mil milhões de libras em 2024, e a Turquia detém 16% das importações britânicas de fruta processada provenientes de fora da UE — a maior quota de qualquer fornecedor não pertencente à UE nessa categoria. A diferença prática desde o Brexit é processual, não comercial: os produtos procurados são os mesmos, mas o percurso de conformidade passa agora pelo sistema próprio do Reino Unido, e não por Bruxelas.
Onde se concentra a procura
As sultanas são a categoria-âncora mais evidente: a região turca de Esmirna é a principal fonte de sultanas para o Reino Unido, alimentando uma indústria de panificação que depende dessa linha de fornecimento há décadas. Os alperces secos seguem o mesmo padrão, com a fruta de origem Malatya a dominar, e a Turquia detém uma quota significativa das importações britânicas de fruta processada no geral. As avelãs entram de forma constante na produção britânica de confeitaria e panificação, e o doce turco e a baclava tiveram um crescimento acentuado, apoiados por uma rede de retalho turca já estabelecida e por um setor de restauração turca a crescer cerca de 7% ao ano — uma tendência visível tanto nos canais grossistas étnicos como no mercado de restauração coletiva em geral. O chá de ervas é uma linha de crescimento mais recente: o Reino Unido é um dos mercados de expansão mais rápida da Europa nesta categoria, com procura de folhas soltas de marca própria tanto de marcas estabelecidas como de marcas de bem-estar mais recentes.
O que mudou com o Brexit — e o que não mudou
O Reino Unido opera agora o Border Target Operating Model (BTOM), um regime de controlo sanitário e fitossanitário baseado no risco, construído e atualizado de forma independente da UE. No momento da saída, o Reino Unido herdou as listas de controlo reforçado da UE — incluindo os controlos elevados então em vigor para produtos como o figo seco turco — e desde então tem revisto a sua própria lista segundo o seu próprio calendário. Isto significa que uma taxa de controlo específica do Reino Unido deve ser confirmada antes do embarque, em vez de se presumir que espelha o que se aplica na UE nessa temporada. Os produtos de origem animal, incluindo o mel, exigem um certificado sanitário veterinário do Reino Unido que fica inteiramente fora do conjunto geral de documentação alimentar.