Cada produção gera mais unidades do que aquelas que uma marca efetivamente encomendou. Uma máquina enche uma tremonha em lotes fixos, uma tiragem de impressão desvia-se ligeiramente antes de um ajuste ser corrigido, e um punhado de saquetas sai da linha com um defeito que ninguém tinha planeado. Nada disto é sinal de que algo correu mal no processo; é uma característica normal do fabrico, e a verdadeira questão para um comprador não é se isso acontece, mas o que um embalador faz com o resultado. Para saquetas de chá e fruta seca, em particular, a resposta deveria ser uma política clara ao nível do contrato, e não uma decisão improvisada tomada no próprio dia.
Dois problemas diferentes: segunda escolha e excedente
«Segunda escolha» e «excedente» são usados de forma vaga, mas descrevem coisas diferentes. Uma segunda escolha é uma unidade específica que falhou numa parte do controlo final, seja uma etiqueta rasgada, uma selagem de envelope torta ou um defeito de impressão na embalagem, enquanto o produto lá dentro pode estar perfeitamente bem. O excedente não é de todo defeituoso; é simplesmente stock acabado extra, produzido porque um tamanho de lote, um enchimento de tremonha ou uma contagem por caixa não se dividiu de forma exata pela quantidade encomendada. Tratar estas duas situações como o mesmo problema conduz a decisões descuidadas, porque uma segunda escolha defeituosa e uma unidade extra perfeitamente boa exigem tratamentos opostos.
O que realmente decide se um lote pode ser reprocessado
A linha entre o que pode e o que não pode ser reprocessado não tem a ver com o quão mau um defeito parece; tem a ver com o facto de tocar ou não na segurança alimentar. Uma etiqueta torta, uma impressão esborratada ou uma caixa exterior que precisa de ser refitada geralmente pode ser corrigida à mão sem tocar no próprio produto, pelo que reordenar ou reembalar é uma opção razoável. Uma leitura de humidade fora da especificação, um papel de filtro rasgado, uma selagem comprometida ou qualquer sinal de contaminação são uma categoria totalmente diferente, porque nenhuma quantidade de reembalamento muda o que já aconteceu ao produto lá dentro. Um embalador responsável traça esta linha por regra, não por um julgamento pontual num turno atarefado, e a inspeção da saqueta acabada incorporada numa produção existe precisamente para apanhar estes problemas antes de chegarem a uma caixa.
Por que razão alguns lotes são simplesmente descartados
Descartar um lote não é esforço desperdiçado; é o sistema de qualidade a funcionar exatamente como previsto. Assim que uma unidade falha num ponto relevante para a segurança, devolvê-la à cadeia de abastecimento anularia tudo o que os pontos de controlo anteriores foram construídos para impedir, pelo que a única atitude responsável é removê-la permanentemente do stock vendável. É também aqui que as amostras-testemunho importam no sentido inverso: uma amostra do mesmo lote é guardada precisamente para que o embalador tenha um ponto de referência caso surja uma questão sobre essa produção mais tarde, mesmo depois de o resto do lote já ter sido descartado.