Um ficheiro de design pronto para impressão e uma embalagem acabada e bem cortada não são a mesma coisa, e é nessa diferença que acontecem a maioria das reimpressões de embalagens. Um logótipo que parecia nítido no ecrã fica desfocado ao ser ampliado numa etiqueta de papel; uma cor de fundo que terminava exatamente na linha de corte deixa uma faixa branca fina depois do corte; uma cor de marca construída em CMYK desvia-se ligeiramente da última tiragem. Nada disto é um problema de design - é um problema de preparação de ficheiro, e é totalmente evitável assim que os fundamentos da sangria, do traçado de corte e das especificações de impressão são tratados como parte do processo de design, e não como uma reflexão tardia na gráfica.
Comece pelo traçado de corte, não pelo design acabado
Cada embalagem impressa - um envelope de fio e etiqueta, uma caixa exterior, uma saqueta de fruta desidratada - é construída a partir de um traçado de corte: um modelo técnico que marca as linhas de corte, as linhas de dobra e as zonas de selagem específicas desse formato e dessa prensa. Desenhar diretamente para um retângulo de tamanho acabado ignora tudo isto, e o resultado é um design que parece correto no ecrã mas não tem em conta onde a embalagem realmente dobra ou sela. Pedir o traçado de corte real ao fabricante por contrato ou à gráfica antes de abrir um ficheiro de design é o único passo que evita mais retrabalho mais tarde.
A sangria existe porque o corte nunca é perfeitamente preciso
A sangria é a pequena margem extra de cor ou imagem que se prolonga para além da linha de corte, e existe porque nenhum processo de corte, por muito bem calibrado que esteja, cai exatamente no mesmo sítio em cada unidade de uma tiragem. Qualquer fundo, padrão ou fotografia que chegue ao limite da embalagem precisa de se prolongar até essa área de sangria; tudo o que termina exatamente na linha de corte arrisca uma faixa visível não impressa assim que o corte se desloca, ainda que ligeiramente. A medida exata da sangria depende do suporte e do equipamento próprio da gráfica, o que é mais uma razão para o traçado de corte vir da gráfica e não de um pressuposto herdado de outro trabalho.
As margens de segurança importam mais em formatos pequenos
Uma etiqueta de saqueta de chá ou um envelope tem muito pouca superfície imprimível em comparação com uma caixa exterior, pelo que a mesma pequena variação de corte ou dobra que uma caixa absorve facilmente pode, numa embalagem mais pequena, empurrar o texto diretamente para uma linha de selagem ou um limite de corte. Manter os nomes dos produtos, códigos de barras e qualquer texto obrigatório dentro de uma margem de segurança adequada - afastada de cada linha de corte e dobra, não apenas do limite exterior - é o que mantém uma embalagem pequena legível depois da produção, e não só no ecrã. É também aqui que as decisões de gramagem e formato se refletem no design: uma saqueta dimensionada, por exemplo, para cerca de 1,5 a 3 gramas de mistura tem uma área imprimível genuinamente apertada, e a margem de segurança tem de ser respeitada em conformidade.