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Óxido de etileno nas especiarias: a pergunta a fazer antes de encomendar

22 de setembro de 2026TeraVella4 min de leitura
Óxido de etileno nas especiarias: a pergunta a fazer antes de encomendar

O óxido de etileno deixou de estar aprovado para utilização alimentar na União Europeia em 1991. Está classificado como mutagénico e cancerígeno, não existe teor permitido e qualquer deteção obriga à retirada do produto do mercado. Seria natural supor que o assunto está encerrado. Não está. Desde 2020 alimenta uma das mais longas séries de alertas e recolhas do comércio alimentar europeu, e as especiarias ocupam o seu centro.

Porque continua a aparecer uma substância proibida há décadas

Há duas explicações.

A primeira é que a proibição é europeia e não mundial. O óxido de etileno continua a ser um método de descontaminação legal e muito usado em vários países produtores, onde reduz com eficácia a carga microbiana de uma matéria-prima difícil de tratar de outra forma. Um lote tratado de forma inteiramente lícita na origem torna-se não conforme no momento em que é colocado no mercado da UE.

A segunda é que a exposição chega quase sempre por via indireta. As recolhas mais perturbadoras não envolveram fabricantes que tivessem tratado os seus próprios produtos, mas fabricantes que compraram um ingrediente — sésamo, uma especiaria, uma goma, um aditivo — que trazia um resíduo. Desde 2020 o sistema de alerta europeu acumulou uma longa série de notificações sobre sésamo, especiarias, ervas e frutos de casca rija, com um padrão constante: quem recolhe o produto raramente é quem aplicou o tratamento.

A definição do resíduo é a parte que apanha toda a gente de surpresa

É o pormenor técnico que transforma um tema histórico num problema atual, e vale a pena compreendê-lo bem.

O óxido de etileno dissipa-se. Se a medição incidisse apenas sobre ele, o material tratado daria muitas vezes limpo passado algum tempo. Mas a definição europeia do resíduo abrange a soma de óxido de etileno e 2-cloroetanol, expressa como óxido de etileno — e o 2-cloroetanol resulta do tratamento e persiste.

As consequências práticas decorrem daqui. Um material tratado meses antes pode continuar a dar positivo. Um ingrediente tratado vários passos a montante leva o marcador para todos os produtos em que entra. E um resultado negativo apenas para o óxido de etileno não prova conformidade, porque não é isso que está a ser medido. Quem analisa um certificado deve confirmar que o ensaio cobre ambas as substâncias face à definição combinada, em vez de o presumir.

O risco concentra-se nos ingredientes que ninguém examina

Numa mistura de especiarias ou num tempero, a atenção acompanha o volume. Os componentes principais são especificados, amostrados e auditados. Uma especiaria secundária com baixa taxa de incorporação, um veículo, um antiaglomerante ou um corante compram-se pela palavra do fornecedor.

À definição do resíduo a taxa de incorporação é indiferente: aplica-se ao produto colocado no mercado. Uma matéria-prima que representa uma fração mínima do peso pode transportar resíduo suficiente para fazer o lote acabado ultrapassar o limite — e será precisamente aquela que ninguém se lembrou de questionar.

A única resposta praticável é pouco vistosa: todas as matérias-primas, incluindo as mais pequenas, recebem a mesma pergunta e a mesma exigência documental. Uma mistura só é tão conforme quanto o seu componente menos examinado.

O tratamento a vapor, com as contrapartidas assumidas

A alternativa consolidada e sem resíduos é o tratamento a vapor. Reduz a carga microbiana por calor e humidade em vez de um agente químico, não deixa resíduo e é compatível com as cadeias de abastecimento biológicas.

Não é isento de custos. O calor e a humidade podem afetar a fração aromática volátil e, nalguns produtos, a cor — o que, numa especiaria comprada precisamente pelo aroma, não é um efeito secundário trivial. O processo tem de ser controlado para gerir esse aspeto, e uma especiaria fortemente tratada pode revelar-se bastante mais apagada do que uma não tratada.

É justamente essa contrapartida que obriga a inscrever o método de tratamento no caderno de encargos em vez de o delegar. Um caderno de encargos que fixa um objetivo microbiológico sem dizer por que meios o atingir entrega a decisão mais pesada a quem executa a encomenda.

As três linhas que evitam o problema

Perguntar, antes de encomendar, se o produto ou algum dos seus componentes foi tratado com óxido de etileno em qualquer fase. Passar a resposta ao caderno de encargos como proibição e não como preferência. Exigir análise face à definição combinada do resíduo, com o método identificado pelo nome.

A TeraVella atua nas especiarias como parceiro de aprovisionamento e não como transformador: não alegamos possuir moinho próprio. O nosso trabalho é colocar a pergunta do tratamento logo no início do caderno de encargos, fixar a resposta na especificação escrita e definir os parâmetros de análise de lote em função dos requisitos do destino. Temos ISO 9001, ISO 22000 e ISO 27001 e não reclamamos certificação biológica nem qualquer outra; quando é exigido produto certificado, esses documentos vêm da origem. Nesta categoria, um fornecedor que responde com precisão, inclusive sobre o que desconhece, vale mais do que um que responde de forma tranquilizadora. Volumes e preços são confirmados em fase de proposta.

#óxido de etileno#descontaminação de especiarias#2-cloroetanol#recolhas na UE#tratamento a vapor#aprovisionamento B2B

Perguntas frequentes

O óxido de etileno é permitido nas especiarias na UE?
Não. Desde 1991 não está aprovado como pesticida nem como fumigante na UE e está classificado como mutagénico e cancerígeno. Não há utilização permitida nem justificação que torne um resíduo aceitável — por isso uma deteção leva à retirada e não a uma negociação sobre teores.
O que é o 2-cloroetanol e porque pesa tanto?
É uma substância que resulta do tratamento com óxido de etileno e que persiste depois de o próprio óxido de etileno se ter dissipado. A definição europeia do resíduo abrange a soma dos dois, expressa como óxido de etileno. É por isso que um produto tratado há muito tempo, ou um ingrediente tratado antes de chegar ao misturador, pode continuar a dar positivo.
Porque continuam as recolhas se a substância está proibida há décadas?
Porque continua a ser usada legalmente em alguns países produtores e porque a exposição chega normalmente através de um ingrediente e não do produto acabado. Desde 2020 o sistema de alerta europeu reuniu uma longa série de notificações sobre sésamo, especiarias, ervas e frutos de casca rija. Um fabricante que nunca tratou nada pode ser obrigado a recolher por causa de um ingrediente menor comprado de boa-fé.
Onde está o risco numa mistura de especiarias?
Em regra, nos componentes mais pequenos. A atenção concentra-se nos ingredientes principais, enquanto uma especiaria secundária, um veículo ou um aditivo passam com menos escrutínio. Como a definição do resíduo se aplica ao produto acabado, uma matéria-prima com baixa incorporação pode bastar para que todo um lote ultrapasse o limite. A auditoria tem de cobrir todas as matérias-primas, não apenas as mais relevantes.
Qual é o tratamento alternativo?
O tratamento a vapor é a via consolidada e sem resíduos para reduzir a carga microbiana das especiarias. Não deixa resíduo químico e é compatível com as cadeias de abastecimento biológicas. Não é isento de contrapartidas — o calor e a humidade podem afetar o aroma e a cor —, pelo que o método de tratamento deve constar da especificação ao lado do objetivo microbiológico, em vez de ser deixado ao transformador.
O que faz a TeraVella quanto a isto?
As especiarias são para nós uma categoria de aprovisionamento e não de transformação: não alegamos possuir moinho próprio. Colocamos a pergunta do tratamento logo na fase de caderno de encargos, escrevemos a resposta na especificação e definimos os parâmetros de análise de lote a pensar no destino. Temos ISO 9001, ISO 22000 e ISO 27001 e não reclamamos certificação biológica nem qualquer outra.

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