Os frutos desidratados parecem um produto simples: fruta, água removida, embalada. Na prática, a diferença entre um lote que escoa sem problemas e outro que regressa em forma de reclamações é decidida por um punhado de fatores mensuráveis, a maioria deles definida antes de a fruta chegar ao seu armazém. Os compradores que compreendem estes fatores escrevem melhores especificações e fazem perguntas mais afiadas ao embalador.
Humidade e atividade da água: dois números, não um
O teor de humidade indica quanta água existe no fruto; a atividade da água (aw) indica quanta dessa água está disponível para micro-organismos e reações químicas. Os frutos desidratados macios, de tipo "húmido", retêm deliberadamente mais água do que os secos a fundo, o que é legítimo desde que a atividade da água se mantenha baixa o suficiente para travar bolores e leveduras durante o prazo de validade pretendido. Uma especificação que refere apenas uma percentagem de humidade fica com metade do quadro.
O passo prático é perguntar que valor o embalador mede, com que frequência e em que fase. A humidade desloca-se durante o armazenamento e o transporte, à medida que o fruto entra em equilíbrio com o ar envolvente, pelo que um valor obtido no embalamento só se mantém se a embalagem e as condições de armazenagem o sustentarem. Quando dois fornecedores anunciam prazos de validade muito diferentes para aquilo que parece ser o mesmo produto, a explicação está normalmente na atividade da água e na barreira da embalagem, e não no fruto em si.
Seleção e controlo de corpos estranhos
É na seleção que um produto agrícola em bruto se torna um produto de qualidade para retalho. As etapas típicas de uma linha de embalamento bem gerida incluem:
- Crivagem e despedregagem para remover areia, pedúnculos, pedras e pó
- Separação por ar ou seleção ótica para detritos leves e defeitos de cor
- Remoção de caroços, pés ou fragmentos de casca consoante o fruto
- Inspeção visual no tapete para tudo o que as máquinas deixam passar
- Deteção de metais ou raios X após o embalamento, como controlo final
Estes controlos são sobrepostos porque nenhuma etapa é fiável por si só. Ao avaliar um embalador, pergunte que fases existem, como são registadas as deteções e o que acontece a um lote quando um controlo é acionado. Um procedimento escrito com registos recentes coloca um embalador numa categoria muito diferente da de quem oferece apenas uma garantia genérica.
Cor, calibre e uniformidade
A uniformidade é o primeiro sinal que o consumidor vê. A cor deve ser regular dentro da embalagem e consistente de embalagem para embalagem; um escurecimento inesperado aponta para acastanhamento durante a secagem ou o armazenamento, ao passo que uma cor invulgarmente viva em certos frutos pode indicar tratamentos que o comprador poderá — ou não — querer ver no rótulo. A calibragem conta para o aspeto e para a exatidão do peso da embalagem, já que uma mistura de pedaços muito pequenos e muito grandes dificulta o doseamento.
Acorde o grau por escrito: dimensão dos pedaços ou intervalo de calibre, descrição da cor e tolerâncias para pedaços partidos, fragmentos demasiado secos ou flor de açúcar. Os compradores que deixam estes pontos implícitos costumam ser surpreendidos não na primeira entrega, mas na segunda.