Duas paletes de alperces secos turcos podem parecer produtos completamente diferentes — uma laranja vivo, a outra castanho escuro — e os compradores novos na categoria assumem muitas vezes que estão perante uma diferença de qualidade. Não estão. Estão perante uma decisão de processamento que deveria ter sido tomada deliberadamente na fase de especificação, porque determina em que prateleira o produto se enquadra, o que o rótulo tem de dizer e como o fruto se comporta em armazém.
O que o dióxido de enxofre faz na realidade
O tratamento com dióxido de enxofre preserva os pigmentos carotenoides que dão aos alperces a sua cor alaranjada e retarda o acastanhamento enzimático que de outro modo ocorre durante a secagem. O fruto não tratado oxida naturalmente e evolui do âmbar para um castanho escuro. A polpa, o teor de açúcar e o próprio fruto mantêm-se inalterados; o que muda é a retenção da cor e, em certa medida, a forma como o aspeto se aguenta ao longo de meses em armazém. Chamar "natural" a uma qualidade e "processada" à outra é tecnicamente justo mas comercialmente pouco útil, porque ambas têm canais legítimos e nenhuma substitui a outra no canal a que pertence.
A consequência na rotulagem
É aqui que a decisão deixa de ser estética. Ao abrigo das regras da UE, o dióxido de enxofre e os sulfitos têm de ser declarados como alergénio quando presentes acima de 10 mg/kg ou 10 mg/litro, expressos como SO₂ total. Isso significa que a escolha do tratamento chega ao rótulo, à declaração de alergénios e à especificação que um retalhista aprova. Um comprador que deixa a decisão ao embalador descobre-a na fase de artes finais, que é o momento caro para a descobrir. Acordar a qualidade na fase de briefing — com o nível de SO₂ correspondente escrito na especificação — não custa nada e evita uma tiragem de impressão.