O Ramadão é o maior pico anual de procura no comércio alimentar do Golfo e é também aquele que os fornecedores novos na região mais vezes calculam mal. O erro raramente tem a ver com o produto ou com o preço. Tem a ver com o calendário: tratar o próprio mês como o prazo, quando o prazo real está três a quatro meses antes, enterrado nos tempos de produção e na documentação.
A dimensão da subida
Os números explicam por que razão o timing importa tanto. O consumo de fruta seca no Golfo sobe cerca de um quarto durante o mês. O volume de encomendas de comércio eletrónico na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos pode disparar até 60% só na primeira semana. A despesa em mercearia na Arábia Saudita cresce cerca de 30% nas duas semanas anteriores ao início do mês, à medida que as famílias fazem reservas de tâmaras, arroz, especiarias e frutos secos. Essa constituição de reservas prévia é o pormenor que apanha os fornecedores desprevenidos — a procura no retalho não começa quando o Ramadão começa; começa semanas antes, o que antecipa as compras do importador por uma margem adicional.
Contar para trás, não para a frente
O método de planeamento que funciona é contar para trás a partir do primeiro dia do mês. A produção demora tempo. A análise de lote e a documentação de qualidade demoram tempo. O transporte demora tempo, e a rota marítima para Jeddah ou Jebel Ali não acelera por se aproximar um prazo. Somando tudo isso, o prazo prático de encomenda fica três a quatro meses antes do próprio mês, o que significa que uma encomenda colocada em Sha'ban — o mês imediatamente anterior ao Ramadão — já vai tarde para essa época e é, realisticamente, planeamento para a seguinte.
Há uma segunda armadilha de calendário. O Ramadão antecipa-se cerca de onze dias em cada ano gregoriano, pelo que um fornecedor que ancore o seu calendário de sourcing a um mês fixo sai de posição ao fim de poucas épocas. Ancorá-lo antes à cadeia de abastecimento — um prazo móvel contado para trás a partir do início do mês — mantém-se correto indefinidamente.